a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

[A quem possa interessar: o QC reabrirá ao trânsito no mês de Novembro]

Fotograma: Zlawomir Idziak, La Double Vie de Véronique, 1991.

domingo, 17 de setembro de 2006

Post 949

O Quatro Caminhos cumpriu ontem o seu segundo aniversário. Não quero deixar de repetir o meu agradecimento aos que por aqui circularam, aos que comentaram e linkaram, em especial aos passageiros habituais. Humanamente, tenho ganho neste espaço muito mais do que me foi possível imaginar, por isso vos sou grata. Agora, o QC tem de fechar ao trânsito por algum tempo. Digamos que necessita de avaliação e obras, como o túnel do Rossio.

Um abraço a todos, em geral e em particular. Qualquer coisa, estarei pela outra paragem.
"Como vedes, o homem é julgado segundo as suas obras e não unicamente segundo a sua fé."
Tgo. 3, 24

Outlet

Nada justifica dinheiro gasto como a descoberta, na etiqueta, de três camadas de preços.

Coisas que Só a Mim Apoquentam XXXV

Há na Islândia, há na Coreia do Sul. Até no Sri Lanka há. Assim sendo, porque é que a Lush mais próxima daqui tem de estar a centenas de quilómetros?

O Tejo, VIII

Matinal, liso. Liso não, reptilíneo, serpenteando pelo mouchão.

Montmartre, Le Chat Noir Café - Cabaret

Não sabes, mas / estás onde esqueço / ou suspendo / um imenso medo / do mundo. Sei quem és, / piano de Satie.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Blog Vérité

Cortei o cabelo (bob por alma de quem?), já me pareço mais comigo. Não fui a New Jersey (que tal?), estive a ver José Pacheco Pereira vs. Manuel de Arriaga Mário Soares. Respondi nãonãonãonãonãonão a um passageiro do metro, interrompi-o naquela parte do é que é mesmo parecida com uma amiga minha. Contei cinco galinhas pretas vivas e um pombo pardo morto até ao Campo de Santana. Choveu-me em cima. Gostei muito.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Sete Rios, Interface CP - ML

Nove e onze de onze do nove. Um. Marcha lenta. Outro. Entreolhares. Quatro. Bilhete. Doze. Polícias. Quem esqueceu acabou de lembrar.

domingo, 10 de setembro de 2006

Queluz, Rua D. Fernando II

O bom de crescer, de envelhecer, é rever miúdos que já não o são e perceber que estão a correr bem. E termos tido a sorte de ter que ver com isso.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Soprano Talk

O bairro já não é o mesmo. Cafés pasteurizados, vídeoclubes de cadeia, vizinhos novos em lofts novos. Num mundo corporativo não haverá lugar para Satriale's, nem para taxas de segurança ao lojista local. "Acabou-se", lamentam os cobradores de meia-tijela. Reunião à porta da charcutaria, cafés e cannoli. T., satisfeito, faz gala da recuperada virilidade. AJ também quer ser homem, mas não sabe para onde se virar. A Drª Melfi explica que crescer já não é o mesmo, "os 26 são os novos 21". Festa, fare niente, facada frustrada no tio. Tony explicando ao filho que este não tem vocação para capo. Aliviado. AJ não. Estômago às voltas, desmaio. Tony em Canali completo, percebendo que já não consegue trair como antes. Crescer custa. Vito em New Hampshire, mas podia ser em Brokeback Mountain. À volta do clã DiMeo toda gente acha que sabe como é: vêem-se uma coisas no cinema, capo di tutti capi, ommertà, blá, blá. Não sabe.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Coisas Que Só A Mim Apoquentam XXXIV

Já ser Setembro e ainda só ter cumprido 2/5 das resoluções para este ano. É assim. Cada qual tem a sua Agenda de Lisboa.

Texas, Wichita Falls

O projecto de Scott Warren tem de tudo: lamento estetizado, confissão cómica, fúria vingativa. Sem arquivos, é rebuscar a cache. No tempo, ou no modo, não haverá quem não tenha visto o seu reflexo num postal. Ao menos uma vez.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

A Preguiça, Nº 12

"É ou não é estranho e lindo e BEM PENSADO por DEUS NOSSO SENHOR que ambos pensemos que nos LIVRÁMOS DE BOA e ficámos a ganhar? É."
MEC

No dia da morte de um jornal a que nunca fui fiel, ou a que só fui durante uns anos (aquando da minha passagem pela mui grada e então mui esquerdosa FLUL), evoco uma das poucas edições periódicas impressas que me ficaram na memória, e que a ele se deve.
Na cave do edifício principal, à entrada do bar do busto camoniano despromovido a capitão iglo, colocado sobre o refrigerador como vigia de comes e bebes, eu e mais dois ou três colegas aguardávamos as primeiras novidades das Pedagógicas enquanto os responsáveis pelo recém inaugurado placard de cortiça do PP acusavam de vandalismo os responsáveis pelo veterano placard de cortiça da JCP, e vice-versa. Alguém trouxe o DN, porque não era do Belmiro, eu levava O Independente, por causa das fotografias de couves e batatas da Inês Gonçalves. Abri a revista, pu-la no centro da mesa, li umas coisas alto, pasmámos todos. Faltar-lhes-ia assunto? Ter-se-iam passado?
No dia 27 de Outubro de 2000, A Preguiça teve por peça principal um artigo intitulado O casamento com a minha mulher e comigo, da autoria de um Miguel Esteves Cardoso em desavergonhada modalidade CAPSLOCK, fora de si de tão feliz. Todos os outros falavam do mesmo: amor, casamento, boda, paixão. Na altura rimo-nos, sentenciámos em coro que era um despropósito, com tanta coisa importante que havia para tratar. O certo é que guardei a revista, e que hoje me dou por contente em ter ficado esse tão belo cúmulo da liberdade de imprensa.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Fechemos Condignamente A Temporada Tonta, 2

Pode ser que seja para o próximo Verão que a mass moda da patine aurífera total (cor da coloração do cabelo + maquilhagem + bronzeado tipo curtume + body lotion com efeitos especiais) se vá de vez. Tanto doirado-acobreado, doirado-estanhado, doirado-doirado. Apre. Que dor de olhos.

Comboio, Pragal - Entrecampos

Nada detém uma mulher com vontade de falar. Não uma mulher com vontade de desabafar - que por mais que a tenha nunca avança sem assentimento - uma mulher com vontade de falar, apenas. Que esteve calada o dia todo, limpando, calculando, escrevendo. A ânsia é tanta que à primeira nesga de oportunidade deixa correr as novidades da terra, as queixas dos miúdos, as fotografias da estação casamenteira, as dores na coluna. O débito é tal que não permite contra-deixa. Em vezes assim, ouvir é comunicar com a maior das generosidades.

Soprano Talk

, ou Sopapo Talk, que neste episódio nem La Bacall escapa. Já não há maneiras. Não pode uma pessoa colectiva oferecer um cabaz à avozinha, que aparece logo o lobo mau. Antes da ordem de trabalhos, peço desculpas aos meus mui estimados co/nversadores pela elipse sem anúncio. Cabeça cansada nem com tv descansa. De volta aos carris: parece que Vito, fazendo juz à fama de seboso, escorregou por entre os dedos da famiglia, não foi? Bem, por agora, menos um apoquentamento para T. e mais tempo livre para Little Carmine (um sartorialist menos arrojado neste episódio, não fosse a bota texana com o fato de verão à milaneza salvar-lhe a fama) e Chris (que lamuriento que anda, eca) fazerem o pitching desse literalmente fantástico argumento. A Sir Ben Kingsley, quanta arte não terá sido precisa para lhe não tremerem as pernas contemplando Murmur, o cardíaco e musculado endireita de Moltisanti. Conversa de elevador no seu melhor. Os infortúnios da virtude de Artie Bucco foram o mais: vocação e honestidade não salvam um negócio sem novidade, pelo menos hoje. Haja um amigo que nos atire à cara o que não queremos enfrentar. Que sempre podemos voltar ao princípio, ao caderno usado do que de tão velho é novo, novamente.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Queluz, Rua D. Pedro IV

Subia-se a escada - bombeiro para baixo, bombeiro para cima - e lá estava a ante-sala do socorrista. Olhos vermelhos de fisgas, pés com pregos, cabeças partidas. À mecânica da cura, seca, sobrevinha amorosa mão de mãe.

sábado, 26 de agosto de 2006

Coisas Que Só A Mim Apoquentam, XXXIII

Sinto-me horrivelmente arrogante quando tenho dificuldade em reprimir a vontade de rir ante quem me conta um actual problema nas glândulas das argilas, ou quem relembra o recente termo clínico à gravidez de um feto vegetariano.

A Boca Dos Outros - Maggie Pollitt

Brick Pollitt:
What is the victory of a cat on a hot tin roof?


Maggie Pollitt:
Just staying on it, I guess, long as she can.