domingo, 30 de abril de 2006
sábado, 29 de abril de 2006
sexta-feira, 28 de abril de 2006
Tolete, Mas (Às Vezes) Alegrete
Descobre-se que se tem jeito para a ficção quando se percebe que há o que aconteça só na nossa cabeça.
Casa de Banho Vitoriana III
Deles são as batas que não afligem. O senhor Paulo é o único que traja à medida, os rapazes não querem saber de cortes ou monogramas, nem chegam a aquecer ao balcão. Querem conversa, sorriem reflexamente às mulheres que entram. Às clientes jovens. Há quem também chame talho a todo o bar de alterne. Por inversão crua. Porque em carne viva.
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Six Feet Under Notes
Caiam cada etapa de fresco. Criam para viver. Amores, trabalhos, filhos. Margaret abstrai-se de si própria por um bocadinho, consola a filha num gesto sem precedentes nem sarcasmos. Brenda, em angústia, duvida ter vocação para ser feliz. A culpa aparece-lhe vestida de Lisa. Nate também vê Lisa. Digo, revê Lisa. David pensa nos outros, Claire pensa nela: será que a roupa me fica bem, será que o Billy me convém, será que não pode ser a mãe a telefonar-me a mim? Federico goza uma adolescência serôdia, Ruth uma velhice temporã; como diria Vanessa, há pessoas que não conseguem estar bem por si sós.
terça-feira, 25 de abril de 2006
Que Fazer Ao que Nos Contam? (8)
A notícia chegou ao norte da província com mais de um dia de atraso. Ela apagou o cigarro e a telefonia, depois acordou-o. Ele ouviu-a. O mais da noite foi o medo da manhã.
segunda-feira, 24 de abril de 2006
Os Amigos
Crescem e aparecem-nos, os amigos. Que desconcerto, desmanchá-los e refazê-los pelos seus sis de agora. E que alegria.
domingo, 23 de abril de 2006
sexta-feira, 21 de abril de 2006
Queluz, Avenida Comandante Paiva Couceiro
Entre o palácio e a boca da avenida começava a dor de barriga. Acampamento, teste, confissão, festa, que interessa, o motivo era o mesmo. O motivo é o mesmo.
Gymnasylum (0)
[Centro comercial da freguesia, loja de material desportivo. Alguns artigos e vários euros depois, esperando o talão.]
- Ai, faz bem. Eu há duas semanas que não vou ao step, já me sinto enferrujada.
- Pois, mas eu há quase dois anos que não vou ao step...
- Uma pessoa vai, está ali, não tem de pensar em nada, não é?- Pois, mas eu há quase dois anos que não vou ao step...
- Pois, mas eu...
- Vai ver, não tarda está outra.
- Pois...
- Daqui a nada vem cá comprar umas calças em S!
- ...
- Vai ver, não tarda está outra.
- Pois...
- Daqui a nada vem cá comprar umas calças em S!
- ...
quinta-feira, 20 de abril de 2006
Caracóis, Sandálias e Traições
Lentinha, lentinha, que isto de uma pessoa se desapegar do último episódio não é fácil. Vamos lá. Voreno e Pulo nunca adivinharam as marés, é certo, mas aquilo é que foi nadar. Pulo nunca esperou nada, talvez por isso tenha sobrevivido. Nem os rituais rústicos permitiram ao seu frater fazê-lo em paz, cada segredo é uma mina, uma vez tocado sempre faz estrago. O mais memorável, para mim, será o silêncio no lugar do que há séculos sabemos: as palavras faltadas a César no momento da facada Bruta e - e sobretudo - Octaviano fitando longamente Servília, num claro isto não acabou aqui, nem pensar, caveat. Os catónicos mataram, mas a República nunca mais poderia ser a mesma. A história nunca se repete.
[Adenda: Homens assim, hipóteses do triunfo da vontade de um só indivíduo sobre os seus semelhantes, a um tempo assustadores e sedutores, que ainda os há, há.]
E cá estamos para as notas da série 5, caros amigos, tudo o que tem um princípio tem um fim, venha essa demão de primário branco.
[Adenda: Homens assim, hipóteses do triunfo da vontade de um só indivíduo sobre os seus semelhantes, a um tempo assustadores e sedutores, que ainda os há, há.]
E cá estamos para as notas da série 5, caros amigos, tudo o que tem um princípio tem um fim, venha essa demão de primário branco.
Coisas Que Só a Mim Apoquentam XXVI
Estremunhar-me a matutar que game* não passa de caça que depois de o ser é que o é.
Lisboa, Largo de São Domingos
Não sei quem escolheu a oliveira, mas ainda bem. Obrigada a quem me ofereceu lume, recusei e não me lembro se agradeci. Precisava acender a minha homenagem nas outras.
quarta-feira, 19 de abril de 2006
Lisboa, Praça D. Pedro IV
O rei era já outro, a cidade ainda joanina. O casario voltado à luz e ao rio, arcos mais arcos, telheiros atravancando as ruas, canos a céu aberto, leiras cuidadas, monturos, terra batida. Os que guardavam memória do último assalto e roubo à judiaria, meses após a repressão do partido do infante Pedro, não careciam de presságios para temer o futuro.
domingo, 16 de abril de 2006
sexta-feira, 14 de abril de 2006
Quatro Figueiras
A minha vista não é um simples cenário de alumínio por lacar porque o pai da dona Guida plantou quatro figueiras em linha. Ele vinha cá de Inverno e podava-as com ciência, eu olhava-o da marquise, ainda comemos delas. A mulher de bâton vivo e cabelo curto que ainda não publicou O Romance disse que o sol posto nas marquises não tem beleza, que estupidez, mas que sabe ela do sol nas marquises, tanto quanto sei de Beckett, que estupidez, quase escrevia sobre as palavras serem tudo o que temos. Que mentira. Que mentira.
quinta-feira, 13 de abril de 2006
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Caracóis, Sandálias e Traições
Acho que ainda não o disse, mas empatizo desde o início com Bruto, e este é o primeiro episódio que se aproxima do que imagino tenha sido a sua figura. Onde os outros vêm tibieza, vejo moderação, controlo da emoção nas decisões. Nesse sentido, ele é bem mais próximo do estéreótipo dos aristocratas Junii que a sua ressentida mãe. Ante o dilema de apoiar um amigo querido ou apoiar os legítimos detentores do poder na República ele escolheu os primeiros. E perdeu. De acordo com o seu tempo é-lhe imputavel a cobardia do fugir ao suicídio de honra, claro.
Lamento ter perdido os primeiros minutos, gostava de ter visto Níobe deslumbrada no banquete dos Julii e Octaviano intercedendo por Pulo, caído em desgraça. Voreno aprende depressa o novo trabalho, afinal a queda para a política não depende só de vocação, esqueço-me sempre disto. Os caminhos são diferentes, mas, como dizia Lobo Antunes na mais estranha entrevista que já vi (aquela do outro dia, na 2:, dada a Ana Sousa Dias, que ombreia em estranheza com uma que Elizabeth Taylor deu a Oprah Winfrey há muitos anos), há qualquer coisa na guerra que irmana os seres humanos que combatem lado a lado a um ponto que (nós que lá não estivémos) não podemos entender.
Desconfio que a melhor cena da série é essa, a de Lúcio em lágrimas ante a sorte de Tito, que podia ser a sua, até decidir intervir. O mérito será do realizador, o dinamarquês Mikael Solomon; este já havia dirigido e bem Points, o episódio da série Band of Brothers (viram?) que narrava a guerra dentro dos soldados depois de acabada a guerra.
Lamento ter perdido os primeiros minutos, gostava de ter visto Níobe deslumbrada no banquete dos Julii e Octaviano intercedendo por Pulo, caído em desgraça. Voreno aprende depressa o novo trabalho, afinal a queda para a política não depende só de vocação, esqueço-me sempre disto. Os caminhos são diferentes, mas, como dizia Lobo Antunes na mais estranha entrevista que já vi (aquela do outro dia, na 2:, dada a Ana Sousa Dias, que ombreia em estranheza com uma que Elizabeth Taylor deu a Oprah Winfrey há muitos anos), há qualquer coisa na guerra que irmana os seres humanos que combatem lado a lado a um ponto que (nós que lá não estivémos) não podemos entender.
Desconfio que a melhor cena da série é essa, a de Lúcio em lágrimas ante a sorte de Tito, que podia ser a sua, até decidir intervir. O mérito será do realizador, o dinamarquês Mikael Solomon; este já havia dirigido e bem Points, o episódio da série Band of Brothers (viram?) que narrava a guerra dentro dos soldados depois de acabada a guerra.
terça-feira, 11 de abril de 2006
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