a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Wee Hours

Tanta mas tanta estrada. Com a chuva, sapos pequenos a atravessar. Muito escuro, carvão a fazer.

Couço, Rua do Comércio

Esta malta do à noite a estudar é cá um desenjoo da gente do haver. Chegada a horas, maneiras,  disposição; algum receio, mas também ânsia em fazer melhor. 
Idades, pela minha. Pouco menos, pouco mais. Uns paridos sem querer, outros dados, outros criados a amor. 
Trabalhos incertos desde os doze, treze, logo à saída da telescola. Períodos geralmente curtos em França, Inglaterra, Suíça. Os que não: muito tomate, pimento, cortiça, vala aberta, condução, limpeza. Depois a vida; família feita, uma ou mais. 
Andar para a frente? Tentar voltar a aprender, escrever história de vida. Organizar papéis, falar com os mais velhos. Recordar agravos, perdas, chumbos, portas fora. 
Que faço eu agora ali, a mostrar carreiro? Tantos anos toda ortografias, toda sintaxes, agora toma lá. Revisora pica erros e faltas de quem é mais no arriscar que ela, no arriscar dizer não muito bem coisas difíceis, prestes a receber reparo. Aprende, Cláudia.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Backlog

Quase um ano não dito. Não por querer. 
Por querer foi, digo, mas não de caso pensado. Muito houve. Tanto sempre há, pois. A ver.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A13, Km 30

Está quase escuro e o calor ainda não vergou. Levo mais de uma hora de caminho. Cruzo o Tejo, a Vala de Alpiarça, a Ribeira de Muge. Depois o Sorraia, a Ribeira de Santo Estêvão. Vou para a charneca. O luz que foge deixa entrever o bonito que isto é. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Wee Hours

Voltar a casa mudou. Isto não antecipei. Estava certa de que os lugares que nos dizem respeito permanecem os mesmos para nós. Talvez não. Sente-se a ausência dos que nos são queridos, primeiro; o passar do tempo nos objectos conhecidos, depois. Um ar por renovar. A renovar.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Estremoz, Largo do Combatentes da Grande Guerra

Pensei que seriam vésperas, mas não. O terço seguia a meio na igreja de São Francisco, à cabeça daquela cruz latina tão bem definida. Que olhos não escapariam imediatamente para a esquerda, para o volume dourado que adiante se descobre? Uma árvore de Jessé, pode-se ler. Não conhecia. Não recordava sequer Isaías, troncos, rebentos. E ali está, sinuosa e escamada ao reparar mais vagaroso. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Agora

É uma língua que não chega à automação, o presente. Um esforço contínuo, espécie de concentração particular  da qual tiro modesto proveito.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Vila de Rei, Rua do Capitão-Mor

Conseguimos chegar quase todos aqui. Corre tanto, o tempo. As camélias abrem, sempre gostaram deste frio. À flor do dia é  tão clara a distância que vai de quem está bem para quem não. Deus seja por todos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cronos, Kayros, Aeon

Ainda que entenda e viva a necessidade de comunicar, inquieta-me de modo primário a perda do valor corpóreo do silêncio, a rejeição de qualquer forma ritual. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lisboa, Rua Abranches Ferrão

Pesa-me a idade, o corpo, a consciência, pesa-me o que vou conservando para dia melhor sem razão especial. A quem servirá, este impulso de guardarmos tantas coisas por perto, para não serem esquecidas?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Wee Hours

E por vezes acordo como quem está prestes a lembrar-se de qualquer coisa fundamental. Procuro razões próximas, tarefas, consultas. Nada. Só este alarme físico - uma atopia para além da pele.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sintra, Alto do Chão Frio

No estacionamento uma miúda finca pé à mãe - do banco do carro não arreda, não entrará no cemitério. O que mais sobra por aqui são vestígios desses: campas por colocar, covas abatidas, montes sem flores verdadeiras.  Este costume, velho de séculos, quem o observará, daqui a trinta anos? 

domingo, 2 de novembro de 2014

Massamá, Travessa Ruy Cinatti

Vários já foram adiante, hoje é dia de o(s) lembrar. Aparentemente repentinos, são sempre os mais recentes que nos pesam. Se os vimos, acarinhámos; se os tratámos o bastante. Não sei. Peço por que sim, que estejam bem.     

domingo, 19 de outubro de 2014

Metro, São Sebastião

A cidade está lavada, o que não durará. São os dias nos quais cada qual usa a estação do ano que quer, não a que o calendário diz.

Montemor-o-Novo, Rua da Horta das Almas

Onde se põe, esse impulso de cuidar de quem precisa de algo bem para lá da nossa mão? Que fazer ao instinto de proteger quem na verdade não pode ser protegido?

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Lisboa, Rua Serpa Pinto

Não se pode dizer que galgue com grande facilidade da alegria à contra-costa, mas já senti acontecer. Como quando (ali) não estive à altura do que consegui começar, ou como quando (aqui) não tive certeza de entender o que se deu. A seguir vem uma ansiedade que embacia tudo. 
Depois nunca sei que fazer.      

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Wee Hours

Continuo a sonhar com detalhes consideráveis mas muito prosaicos. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Arquivos

Tento reconstituir a lista de blogues - uns vivos, outros idos. Tinha escrevinhado o hipertexto num ficheiro, por isso tentei repô-la tal qual. O blogger estranha. Que mania, a da actualidade.

domingo, 5 de outubro de 2014

Em manutenção

Digamos que f##i inadvertidamente o meu querido template - cor, cabeçalho, links, tudo ao ar. Já o pc tem laborado num computedo lamentável, lentíssimo, pelo que não sei se não está à beira da morte natural. Isto é capaz de demorar.

   Logo agora que ando a aprender a perder a paciência.   

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Lisboa, Estrada das Laranjeiras

O movimento compassado dos miúdos do liceu pelas ruas compõe a mais feliz das impressões que Setembro agora me traz. Não está frio, quase não há testes nem trabalhos. Há tempo. Há-os sentados por todo o lado em conversa, passeio. Qual deles conjurará este ar tão ameno? Quem será outro em Outubro? E há os rapazes ainda capazes desse acto de gentileza clandestina - a companhia à miúda até à esquina da sua rua, paragem, estação de metro. E a demora impossível na despedida. Só e tudo, até ao outro dia.