a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sábado, 31 de dezembro de 2011

Bom 2012, malta.

Lisboa, Largo do Picadeiro

Já depois do Natal fui trocar uma prenda e comprar um bolo-rei. A seguir passei pelo São Luiz e estive lá um grande bocado. O Pedro Mexia, como moderador, não só deu o pontapé de saída como foi o trinco durante todo decorrer da conversa, posição em que se sai bem. A Aldina Duarte é sempre boa de ouvir: transmite um encantamento meio infantil com o que vai descobrindo, estudando, e isso hoje é tão raro e mal entendido. O João Lopes foi quem mais me intrigou: guardei as suas citações, perguntas, a sua inconforme memória de juventude. A Patrícia Pascoal, no ingrato papel de técnica de serviço, lá tentou não tipologizar demasiado o fenómeno, mas estava difícil. A Sónia Balacó pareceu-me escalada para ler; não sei se a pouca expressividade com que o fez se deveu à natureza dos textos que ouvi (diálogos dos Morangos com Açúcar), presumo que não (também leu um poema da Adília e outro do Yeats, se não erro). Ah, o tema era o amor. A sala estava cheia de gente.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dois Mil e Onze (Ego Trip-Top)

O Pior
Crescimento - Menos oportunidades de aprender.
Sustento - Quarenta dias sem trabalho. Trinta dias de férias compulsivas, não pagas. 
Sentimento - Vário medo de arriscar ainda por perder.
Entretenimento - Nenhuma grande viagem.

O Melhor
Caros diários - Ter os meus bem, não longe.
Malabarismos culinários - Folhado de queijo de cabra da Soalheira e maçã de Esmolfe; Lasanha de frango, grelos de couve-nabo e queijo da Ilha de São Jorge;  Bolo de chocolate (Lindt, cacau a 85%).
Males necessários - Acarear a fraqueza, a falha, a falta e, finalmente, não querer desaparecer.
Lampejos refractários - Corar ainda, como aos quinze anos, diante de um rapaz interessado e interessante.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Oitava do Natal

A Faithfull está hoje de parabéns. Tinha-me passado despercebido até agora, este seu álbum de 2009 2005. Tomai lá de prenda atrasada estes dois incrivelmente bem coados rock'n'rollers.

Lisboa, Avenida Cidade do Porto

No aeroporto a disposição torna-se mais evidente, é só isso. Ansiamos pela chegada dos que nos são queridos com a noção clara de que os dias, estes dias, passam a correr.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Little Portugal

A Vicky Pollard cá do bairro costuma estar pela bomba de gasolina derramada na cadeira do namorado, o rapaz que faz o turno da noite. Enquanto ali está vai disparando sms para a estratosfera; a sua expressão frente a qualquer cliente é quase nula, a topografia de um frete. Pela hora de jantar de ontem, já corrido o gradeamento de segurança, fiz o pagamento através do vidro. Pouco depois de dar costas ouvi uma repreensão em voz grave, masculina. A ver o que havia, virei-me: era a Vicky, esboçando um sorriso desafiador ao namorado. Havia decidido do alto dos seus oito  meses de gestante abrir o gradeamento de segurança e fumar uma valente cigarrada.   

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

In the days still left


[Eva Cassidy, Fields of Gold, (v. 1996; or. 1993)]

O Professor

Os quinze anos que levo de leitora da Biblioteca são os que tenho de o ver seguir a passo ligeiro, rumo à fila A, lugares dez, doze ou catorze; há meia dúzia deles doou parte do seu acervo à instituição, ainda que não só. Está a chegar aos noventa mas não os aparenta. Quem o tenha estudado dificilmente o pode admirar mais pelo entusiasmo vital e surrealista dos vintes do que pelo lastro erudito e depurado dos oitentas. Apostolado intelectual puro e duro, sem fatuidades, o do Professor França.     

domingo, 4 de dezembro de 2011

Ἀκάθιστος

Remonta ao século sétimo, este hino. Ninguém sabe se foi composto em hora de aflição ou de agradecimento. A época foi a do cerco a Constantinopla, e o canto dirigido à mãe de Jesus pelos seus seguidores. Depois disso quase tudo mudou na cidade, até o seu nome.  

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A Balsa ou a Vida

Claro que me comoveu, esta volta de maré. Lembrou-me o bolero do Preisner, aquele ponto vermelho ainda à tona, intacto num tão duro mar de Dezembro. Ao perto não é bem vermelho, pelo menos não tanto quanto os anoraques dos bombeiros que os levaram ao hospital, ou as camisolas dos miúdos que são e torcem pelo clube da sua terra. Caxinas há muito que merecia um dia pródigo. Nós outros também.