Sexta-feira, Setembro 30, 2011
[Frank Sinatra, It Was A Very Good Year, v. 1965, or. Ervin Drake]
Segunda-feira, Setembro 26, 2011
Quinta-feira, Setembro 22, 2011
Quarta-feira, Setembro 21, 2011
Sete Rios, Estação do Jardim Zoológico
Em altura/não distante/final do dia/descia/à gare e sentia-me/uma grande grande/porcaria,/por minha culpa,/minha tão grande culpa,/e os painéis não/apagavam nada disso,/pelo contrário,/diziam que/nada acabava ali,/que a fauna e flora/fl(u)oresciam/mais ou menos/alheias aos meus/infortúnios como/num Malick de guerra,/e isso tornava/tudo aquilo/um pouco menos extremo, absurdo, cediço.
[Júlio Resende, 1917-2011]
Terça-feira, Setembro 20, 2011
Mação, Fonte da Ladeira
A mulher alta - a mais mexida das vestidas de preto - ainda cuida da criação, dos almeirões e das couves-nabas. É a espalha-brasas da aldeia, quem não conhece não diz que perdeu o homem para o cancro e está às voltas com ele também. Manda-nos entrar para mostrar as obras do fumeiro enquanto os outros irmãos e irmãs, despachados os filhos e netos de regresso à semana, se juntam no pátio para jantar. Espero que a gente descubra fibra desta em nós. Não muito tarde.
Segunda-feira, Setembro 19, 2011
Sexta-feira, Setembro 16, 2011
Um blogue que podia frequentar a segunda classe
Sete anos de Quatro Caminhos. A pé, à boleia, à tabela ou à beira do ataque de nervos, menos palavroso mas não menos presente. Um abraço à dúzia de passageiros do costume.
Quarta-feira, Setembro 14, 2011
Queluz, Rua 31 de Janeiro
Pensando bem, passei uma boa década com corte de cabelo à Coleen; as botas de atanado e as peças avulsas dadas pela Anti-Aérea ao Agrupamento reforçaram o estilo, mas só. Muita guerra vi nessa altura.
Segunda-feira, Setembro 12, 2011
Belas, Estrada das Águas Livres
O Paulo tinha feito há poucos dias trinta anos. Viveu doente vinte e três, ainda que o prognóstico menos conservador lhe negasse dois. Deu-se um azar da Natureza daqueles em mil e ele retornou a criança de alcofa. O seu padecimento prolongado pôs à prova as convicções de todos, não há outra maneira de o dizer. Uma coisa assim é um mistério, é difícil encontrar sentido ou dar-lhe um. A alguma distância, percebo agora, a família, os amigos e a comunidade do bairro passaram a ver na sua sobrevivência um indício luminoso. Foi-lhes dado tempo de aprender.
Quarta-feira, Setembro 07, 2011
Terça-feira, Setembro 06, 2011
Segunda-feira, Setembro 05, 2011
Leiria, Avenida das Comunidades Europeias
Ao rés dos oitenta a tia M. começou a recear que lhe escapasse o que lhe haviam confiado, não à puridade, como aos padres, pelo contrário, para salvação do esquecimento. As páginas de certo bloco de notas Firmo guardam linhagens de pessoas e acontecimentos conexos, e têm início na recordação da senhora E, conterrânea a quem a dita tia acompanhou no leito de morte. A forma, neutra e aparentemente distanciada, não afaga o conteúdo:
Dona E., 103 anos. Filha de exposto. Foi vendida quatro vezes em praça.

