a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Four Measures (And Some Clean Cut Enunciation)

[Frank Sinatra, It Was A Very Good Year, v. 1965, or. Ervin Drake]

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Barreiro, Rua Professor Joaquim Vicente França

Tantas pessoas mesmo interessantes, afinal. Tive a sorte de conhecer ou conhecer melhor algumas delas neste ano, coisa que há muito não acontecia. Valeu por bem mais, mas assim só já estava cumprido, este mais um.     

  [Auto-retrato #2, Setembro de 2011]

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

[Foto: R.E.M. por Anton Corbijn, c.1997]

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sete Rios, Estação do Jardim Zoológico

Em altura/não distante/final do dia/descia/à gare e sentia-me/uma grande grande/porcaria,/por minha culpa,/minha tão grande culpa,/e os painéis não/apagavam nada disso,/pelo contrário,/diziam que/nada acabava ali,/que a fauna e flora/fl(u)oresciam/mais ou menos/alheias aos meus/infortúnios como/num Malick de guerra,/e isso tornava/tudo aquilo/um pouco menos extremo, absurdo, cediço.
  
[Júlio Resende, 1917-2011]

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mação, Fonte da Ladeira

A mulher alta - a mais mexida das vestidas de preto - ainda cuida da criação, dos almeirões e das couves-nabas. É a espalha-brasas da aldeia, quem não conhece não diz que perdeu o homem para o cancro e está às voltas com ele também. Manda-nos entrar para mostrar as obras do fumeiro enquanto os outros irmãos e irmãs, despachados os filhos e netos de regresso à semana, se juntam no pátio para jantar. Espero que a gente descubra fibra desta em nós. Não muito tarde.   

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A felicidade dos outros

às vezes faz-nos um bocadinho felizes, também. Ler blogues ao longo de anos gera um senso de familiaridade um bocado descalibrado, sim, mas que fazer quando se dá pelo entroncamento de alguns dos que acompanhamos sem conhecer, lá de longe, senão torcer da bancada, desejar bom caminho, sorrir?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um blogue que podia frequentar a segunda classe

Sete anos de Quatro Caminhos. A pé, à boleia, à tabela ou à beira do ataque de nervos, menos palavroso mas não menos presente. Um abraço à dúzia de passageiros do costume.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Queluz, Rua 31 de Janeiro


Pensando bem, passei uma boa década com corte de cabelo à Coleen; as botas de atanado e as peças avulsas dadas pela Anti-Aérea ao Agrupamento reforçaram o estilo, mas só. Muita guerra vi nessa altura.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Belas, Estrada das Águas Livres

O Paulo tinha feito há poucos dias trinta anos. Viveu doente vinte e três, ainda que o prognóstico menos conservador lhe negasse dois. Deu-se um azar da Natureza daqueles em mil e ele retornou a criança de alcofa. O seu padecimento prolongado pôs à prova as convicções de todos, não há outra maneira de o dizer. Uma coisa assim é um mistério, é difícil encontrar sentido ou dar-lhe um. A alguma distância, percebo agora, a família, os amigos e a comunidade do bairro passaram a ver na sua sobrevivência um indício luminoso. Foi-lhes dado tempo de aprender.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Scissorshop®

[Auto-Retrato #1, 2011. Foto s/Peggy Shackman]

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Wee Hours

Não existe cooptação mais surpreendente e comovente do que a amizade, graças a Deus.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Leiria, Avenida das Comunidades Europeias

Ao rés dos oitenta a tia M. começou a recear que lhe escapasse o que lhe haviam confiado, não à puridade, como aos padres,  pelo contrário, para salvação do esquecimento. As páginas de certo bloco de notas Firmo guardam linhagens de pessoas e acontecimentos conexos, e têm início na recordação da senhora E, conterrânea a quem a dita tia acompanhou no leito de morte. A forma, neutra e aparentemente distanciada, não afaga o conteúdo:
Dona E., 103 anos. Filha de exposto. Foi vendida quatro vezes em praça.

sábado, 3 de setembro de 2011

O Cromo de Raul Machado

[Aleixo na Escola #09, Gana Produções]

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Lisboa, Rua Garrett

Acho que sou analfabeta funcional de pessoas, só consigo ler as que têm semblante claro, as que não temem nada nem ninguém, as que não estão escaldadas ou as que já não se importam com o que os outros pensam. As outras todas não sei, engano-me ou não consigo decifrar.