Domingo, Novembro 21, 2010
Com a cidade por conta, mudo de faixa e contorno sem pressa os ramos, as folhas, as poças mais fundas. Levo o Atlas na ideia, e lembro a Orval de há muitos meses, coberta de neve (o hastear do dia, a bruma vinda das Ardenas, o eco dos cânticos a dissipar-se pelo horto). O semáforo muda, os poucos carros em redor seguem caminho. Demoro uns momentos a arrancar.
Quinta-feira, Novembro 18, 2010
Sardoal, Rua do Paço
Nunca tinha colhido, escolhido e retalhado azeitonas, não sabia que largavam um vermelho tão venal. Ficarão a adoçar no tanque, junto à nascente. Terei as mãos tintadas por muitos dias.
Segunda-feira, Novembro 15, 2010
La Suggia, 1927
Para ser honesta, acho que foi uma chamada de atenção no JPP para com Guilhermina e os seus, há já uns anos, que me despertou curiosidade sobre um nome não mais que familiar. Em 2010 cumprem-se sessenta anos sobre o seu desaparecimento. Não sabia que a sua irmã, Virgínia, em tempos internacionalmente tida por tão virtuosa quanto ela, lá pelos vintes, lhe anunciou algo como antes amor que música. Guil não quis saber. Eis uma das suas poucas audio-gravações, sob o signo do sagrado Yom Kippur.
[Imagem: Augustus John, 1920-23]
Domingo, Novembro 14, 2010
Wee Hours
Há muito que não me irritava assim: acenem-me com uma consoante muda frente à tromba que logo descobrem o que é acção directa, damas e cavalheiros.
Quinta-feira, Novembro 11, 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXIX
É de levar mais a sério quem convida como quem ameaça ou quem ameaça como quem convida?
Quarta-feira, Novembro 10, 2010
Pagar a Conta
Ainda bem que a canção se popularizou (nunca fui dos que vibram quando dão por que os outros ainda não conhecem o que eu já). Eis tele-coisa de José Pinheiro, insuspeito mínimo denominador comum, uma vez mais. Muito adequada às momices antiteresaterminassianas destes dias, não?
Terça-feira, Novembro 09, 2010
Quarta-feira, Novembro 03, 2010
Que Fazer ao Que nos Contam? (16)
A septuagenária que convidamos para a mesa cora, acanhada. Não foi bonita, não o é agora. É, isso sim, uma das faces do bom que o presente traz: tão poucos sobram que o que antes eram deixou de importar. A filha do ferreiro está como a do presidente, a neta do médico é mulher do filho do filho de um jornaleiro, a sobrinha da dos maus favores conta histórias à afilhada mais nova do vigário. Aquela, a que se junta a nós para o café, lembra o tempo em que o feitor pagava a um dos sacristães para adiantar o romper das avé-marias e atrasar o pôr das trindades um bom quarto de hora. Não chega a chorar, explica que não havia quem se pudesse dar ao luxo de os justiçar, aos fracos, como quem perdoa.
