Daqui mesmo, nesta perspectiva, a câmara de F. Carneiro Mendes captou há setenta anos o Pavilhão dos Portugueses no Mundo. Que hoje lhe suceda um pavilhão do mundo nos portugueses, isso faz-me sentir mais dele.
a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória
segunda-feira, 22 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Massamá, Praceta João de Deus
Das dez às dez dos últimos vinte anos a livraria do shopping esteve sempre aberta. Tanto nas calmas como em recurso, sabíamos ter à distância de uma caminhada as últimas novidades, os clássicos, os gibis, uma secção de poesia bastante decente, para além do mais recente recanto de alfarrábio. Fui em regra atendida por gente competente e porreira, como esta que entretanto criou coisa sua. Nada sei do que se passou na Clepsidra, antes Teorema, filha de filho de gente das letras. Mas que sem ela o burgo fica mais cinzento, isso sei.
sábado, 13 de março de 2010
Inverno na Devesa (2)
Aproveito e vou adiantando as pratas. A menina, digo, a senhora e o senhor doutor passaram a receber aos serões de segunda, por isso o dia santo ganhou serviço dobrado. Sei que não me devo queixar. Ela é muito boa comigo; não grita, nunca que me deu um bofetão. Outra rapariga de dentro que diga isto cá na vila, não conheço. Faço o meu domingo à terça, paciência. O vento não acalma. A chuva, um pouco. Parece-me que vêm a chegar.
Strange Days
Nunca tinha ficado mal-disposta com uma caneca de chocolate. Antigamente uma dose destas ajudaria, agora nem pensar; dá nisto, ensinar ao corpo que os males não podem ser empurrados com doces garganta abaixo. O problema não foi a caneca, foi o tacho de em dois dias ficar a saber de dois conhecidos que afinal não o eram. Por que razão presumimos saber quem são as pessoas com quem nos cruzamos durante anos, com quem partilhamos o passeio, o caminho da escola, a paragem, o café? Por que dariam a perversidade ou a canalhice sinais exteriores de vileza?
sexta-feira, 12 de março de 2010
Coisas Que Só A Mim Apoquentam LXV
Não deveria haver um sartorialist ou um face hunter que postasse fotos das elegantes não-estrelas que cruzam as passadeiras de prémios?
terça-feira, 9 de março de 2010
Davam Longos Passeios
Enquanto planeava a viagem Riba Douro lembrava a conversa com os miúdos de Gondomar. É estranho e um bocado triste, mas certo que por cá a malta de dezanoves e vintes não alinha em palrações com desconhecidos. Quem é mais velho ou mais novo encontra-os à mesa muito monos, empacados no telemóvel, mais nada. Já aqueles, da festa das nozes à tipologia guna à produção de nabos, não tiveram descanso. Gente muito porreira, pensou.
segunda-feira, 8 de março de 2010
As Quatro Marias
Pois eu senti nenhumas. Em mim, a leitura das três primeiras resultou em respeito pela quarta. Mais até, em consideração. Deve ser sangue que vem de trás, fervente à burguesa sobranceria. Quem apouca esta Maria não entende as mulheres do meu país, incluindo a que me teve. Não foi criança inviável, não perdeu ilusões cedo, não contou com a bondade de quase-estranhos, não teve de calar ao gerente que o leite estava azedo, não sorriu, infantil, à boa fortuna. A Lamas vos diria.
Nota da Redacção em 10.03.10: Os posts fêmeos, parece tornar-se regra, são aqueles em que mais mal entendida sou. Ou pior me explico. Ou as duas coisas. Em caso de dúvida (e em atenção às oito ou nove pessoas que aqui vêm sem ser por acidente) aqui fica a transcrição dos dois comentários em caixa.
Anónimo disse...
O entroncamento - alguma coisa escapará - parece-me infeliz. Ferem as personagens, o objecto e o contraste - para quê?
Rejeição literária à parte, as três iam mesmo dentro não fora o 25/4. Que se saiba, a outra e a senhora sua mãe nunca a tal se expuseram.
Não será o suficiente para a consideração (política, literária, a que bem entender chamar à colação) mas basta para o respeito. Aquele que a senhora e todos nós lhes devemos; aquele sobre o qual a senhora passa ligeira.
A indignação firme terá com certeza melhor dia aqui.
Conheço e admiro (ao contrário do que insinua, e bem mais do que possa calcular) as Cartas (e várias outras obras de duas das três, em particular de MVdC), como conheço os contornos do processo judicial a que alude. A indignação nasce, precisamente, em reacção a um olhar superficial, desatento, pois há um evidente nexo entre a coragem literária (e cívica) das primeiras e a coragem vivencial das segundas. As Marias que são a 'outra' e a 'senhora minha mãe' expuseram-se não à cadeia, mas à superação do muito que subjaz ao epistolário das Três. Não estão, nunca estiveram verdadeiramente nos antípodas umas das outras. Não lhe parece que aquela Maria que refiro no final, a Lamas, deixou isto claro, no modo como escreveu o que escreveu há sessenta anos? Acha mesmo que a uma mulher que no Lindoso ou na Erra fazia por ter melhores condições de vida, faltou real coragem e consciência da sua condição?
O desconhecimento da 'mulher comum', o desgosto manifestado pela sua mobilidade, o apoucamento do seu viver a partir da rejeição do seu penteado, dos seus maneirismos, do seu estar, isso sim é ligeireza.
Nota da Redacção em 10.03.10: Os posts fêmeos, parece tornar-se regra, são aqueles em que mais mal entendida sou. Ou pior me explico. Ou as duas coisas. Em caso de dúvida (e em atenção às oito ou nove pessoas que aqui vêm sem ser por acidente) aqui fica a transcrição dos dois comentários em caixa.
Anónimo disse...
O entroncamento - alguma coisa escapará - parece-me infeliz. Ferem as personagens, o objecto e o contraste - para quê?
Rejeição literária à parte, as três iam mesmo dentro não fora o 25/4. Que se saiba, a outra e a senhora sua mãe nunca a tal se expuseram.
Não será o suficiente para a consideração (política, literária, a que bem entender chamar à colação) mas basta para o respeito. Aquele que a senhora e todos nós lhes devemos; aquele sobre o qual a senhora passa ligeira.
A indignação firme terá com certeza melhor dia aqui.
Cláudia [ACV] disse...
Fere quem!? Tresleu e muito, anónimo(a). A clareza não será o meu maior predicado, por isso repetirei, sintetizando: depreciar a vida e postura da quarta a partir da evocação das três primeiras é paradoxal, para além de mesquinho. Conheço e admiro (ao contrário do que insinua, e bem mais do que possa calcular) as Cartas (e várias outras obras de duas das três, em particular de MVdC), como conheço os contornos do processo judicial a que alude. A indignação nasce, precisamente, em reacção a um olhar superficial, desatento, pois há um evidente nexo entre a coragem literária (e cívica) das primeiras e a coragem vivencial das segundas. As Marias que são a 'outra' e a 'senhora minha mãe' expuseram-se não à cadeia, mas à superação do muito que subjaz ao epistolário das Três. Não estão, nunca estiveram verdadeiramente nos antípodas umas das outras. Não lhe parece que aquela Maria que refiro no final, a Lamas, deixou isto claro, no modo como escreveu o que escreveu há sessenta anos? Acha mesmo que a uma mulher que no Lindoso ou na Erra fazia por ter melhores condições de vida, faltou real coragem e consciência da sua condição?
O desconhecimento da 'mulher comum', o desgosto manifestado pela sua mobilidade, o apoucamento do seu viver a partir da rejeição do seu penteado, dos seus maneirismos, do seu estar, isso sim é ligeireza.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Queluz, Adro da Igreja Paroquial
Por falar em sacramentos, recordo-me bem do da Eucaristia. O sol estava forte à hora da fotografia. Foi na Primavera da entrada na CEE, em tempo do padre Alberto Teixeira Dias, homem verdadeiramente ocupado em transmitir à comunidade o fundamental - ouvir, ler e interpelar os Livros, alimentar a vida do espírito com alegria e em partilha. As externalidades e os formalismos não encontravam nele grande guardião. Sugeria vagamente o branco e o azul quando algum pai fazia a protocolar pergunta da fatiota, o que nos deixava entusiasmante margem criativa.Que ela se tenha traduzido neste ensemble evocativo de Armando Gama, isso já não sei como foi.
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