Wee Hours
Há muito que não me irritava assim: acenem-me com uma consoante muda frente à tromba que logo descobrem o que é acção directa, damas e cavalheiros.
a vida depois da vida/eco em museu/canção-vitória/letra empoada/melhor que nada/é memória
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Credo :) Pois eu ainda me irrito quando leio "a são dirêta" (ação direta, no desacordo), mas nem vale a pena a violência, é uma batalha perdida…
É violência defensiva, as palavras sob o acordo soam-me tão mal que quando leio um daqueles jornais pressurosos na adopção de novidade é como se um sotaque distópico e circunflexo à Edite Estrela saltasse das páginas para me agredir primeiro :)
A palavra aspeto, por exemplo, não podia ficar com um aspecto mais horrível. Parece um nabo do qual só deixaram a rama.
ahah, E o acordo tornou foneticamente essa palavra na mesma família que espetador, outra das minhas preferidas. Este é que eu acho o verdadeiro drama contemporâneo português. Um FMI da língua era bem vindo :)
Espetador consegue ser ainda mais ó- rrível: é a modos que o-fim-do-mundo-em-cuecas. Há um enorme desrespeito etimológico e tonal nesta ortorexia, e isto nem com FMI (ou FML?) lá vai. Acho que vou comprar um marcador a álcool e desobedecer mais ou menos civilizadamente.
Era um dos nossos humoristas escolherem bem um poema do nosso património cheio de consoantes mudas, recitá-lo lendo as palavras mal tratadas como nós as lemos, e ser um hit no youtube de maneira a expôr todo o rídiculo deste acordo. Enfim, se a peste não se alastrar aos livros dou-me por satisfeito, mas editoras como a Leya não me sossegam muito...
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