a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

sábado, 29 de novembro de 2008

Sexta Feita

Que seja uma andada,
da desanca
pouco figurada
ao terapêutico
realinhamento do ego.
E viva
sexta feita.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fantasia para duas cabeleireiras e uma flausina

- Aqui entre nós, acho a atitude dela uma pouca-vergonha. Ali há coisa. O Tony é um homem de família! Uma lasca, mas casado-pai-de-filhos. Quer dizer, há limites, não é?

- Também acho. Um pão, mas pronto. Se é casado é carne morta. Mais ou menos, quer-se dizer, tenho uma amiga que... bem, acho mal, pronto. Essa, para mim, passou de hipopóptima a hipopéssima.

- Ai, p'ra mim tam'ém. Uma ordinária. E gorda-badocha.

What A Wicked Game

Numa de tantas vezes lá estava, quase ridiculamente cordata a rasteira daqui, cotovelada dali, àquele tom genericamente apoucante. Em resposta, dúvida. Empatia, sorriso sem esforço. Nenhuma cólera, nenhum ressentimento. Tão nova, meu Deus. Em brevíssimo segundo de silêncio, ouvi então voz que já cá não há dizer um imprevisto a claudinha tem muito fairplay. Assim só, sem ribombâncias, muito fairplay. Muito já não tenho, querido Chefe. Passou-se o tempo. Não muito.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Encandeamento de Ideias

A dor física impõe ao desempenho de qualquer actividade (mesmo a de ler, escrever e contar) canga pesada. Por isso espanta, o rápido esquecimento dela em corpo recuperado.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Coisas Que Só a Mim Apoquentam LIX

Se não fossem apoquentar tanta mas tanta mais gente, diria, claro, aqueles kapa-lines-tamanho-real da Dr.ª Grey e do Dr. Shepherd que a Fox há dias espalhou pelo metropolitano. Assim sendo, direi antes que me confunde haver tanto quem responda a quem pergunte por qualquer acontecimento com um

- Não tenho palavras para descrever

seguido de monumental bátega de adjectivos.

sábado, 1 de novembro de 2008

Não entendo quem cá não vê nada de interesse

A mim, a mais pequena leitura desencadeia contemplações entusiasmadas mas nem por isso fantasiosas: Jaime de Magalhães Lima muito jovem, a bater à porta do já velho e barbudo Tolstoi em Isnaia Poliana; Catarina de Bragança recém-chegada a Londres, um bocado intimidada, a abrir o baú das suas folhas de chá; Alexandre O’Neill debruçado sobre Nora Mitrani em certo jardim de Lisboa, fazendo um esforço considerável por se concentrar na tradução d'A Razão Ardente; Tomás Pereira em Pequim, ensinando uma longa peça musical ao intimidante imperador Kangxi; Sá da Bandeira cansado, já perto de Monção, a tentar convencer a sua soldadesca que nada ainda está perdido. Coisas assim.