Em memória do C. L.
Quando digo pouco tempo ele nunca é tão pouco assim, não à escala do que cada qual tem para cá andar - vícios do ofício. A questão é que de repente [sempre de repente (mesmo quando não o é)] ele se mostra suficiente para conhecer mais alguém que se não chega a conhecer melhor.
a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Bolsa de Lavores
Alguém que tenha aí por casa um exemplar da última revista do Expresso para aparar o estardalhaço à petinga frita, fazia o favor de copiar a receita de salame de castanhas (do Augusto Gemelli, forze?) que lá vem aqui para a caixa de comentários? É que minha esperteza foi suficiente para a recortar de exemplar alheio, mas não chegou para que não a largasse sabe-se lá onde. Palavra que não abuso (sempre já só pareço a Katie Holmes com mais uns dez ou doze quilos).
the thin veils of Jewish women
«You mustn't show weakness
and you've got to have a tan.
But sometimes I feel like the thin veils
of Jewish women who faint
at weddings and on Yom Kippur.
You mustn't show weakness
and you've got to make a list
of all the things you can load
in a baby carriage without a baby.
This is the way things stand now:
if I pull out the stopper
after pampering myself in the bath,
I'm afraid that all of Jerusalem, and with it the whole world,
will drain out into the huge darkness.
In the daytime I lay traps for my memories
and at night I work in the Balaam Mills,
turning curse into blessing and blessing into curse.
And don't ever show weakness.
Sometimes I come crashing down inside myself
without anyone noticing. I'm like an ambulance
on two legs, hauling the patient
inside me to Last Aid
with the wailing of cry of a siren,
and people think it's ordinary speech.»
and you've got to have a tan.
But sometimes I feel like the thin veils
of Jewish women who faint
at weddings and on Yom Kippur.
You mustn't show weakness
and you've got to make a list
of all the things you can load
in a baby carriage without a baby.
This is the way things stand now:
if I pull out the stopper
after pampering myself in the bath,
I'm afraid that all of Jerusalem, and with it the whole world,
will drain out into the huge darkness.
In the daytime I lay traps for my memories
and at night I work in the Balaam Mills,
turning curse into blessing and blessing into curse.
And don't ever show weakness.
Sometimes I come crashing down inside myself
without anyone noticing. I'm like an ambulance
on two legs, hauling the patient
inside me to Last Aid
with the wailing of cry of a siren,
and people think it's ordinary speech.»
Yehuda Amichai, You Mustn't Show Weakness, c. 1986
[Ed. T. Hughes].
[Ed. T. Hughes].
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Amêndoa, Rua do Pombal
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
A Great Line, Indeed
Sou fã de Mrs. Emma Peel, alias Diana Rigg, ícone da modernidade, rapariga que a esta altura era mais mal paga que o cameraman da série, que foi depois Teresa Draco, desposada na Arrábida por Bond, James Bond, e mais tarde intérprete de Coward e Stoppard. Dame Rigg completou recentemente setenta verões. God bless her em estilo e saúde.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Coisas Que Só a Mim Apoquentam LVIII
Talões oficiais que anunciam a possibilidade de levantamento em «provavelmente 5 dias úteis», pacotes de açúcar que pesam «7/8 gramas», e assim. Bole-me com qualquer coisa, a institucionalização da incerteza.
Wien, Berggasse / London, Maresfield Gardens
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Que Fazer Ao Que Nos Contam? (14)
- Então pega nos cacos - vamos ao Santo António.
Madame Alice estava visivelmente irritada. Regressara de Evian há menos de dois dias quando a criada de servir, adossada pela cozinheira, a criada de quarto e a mulher a dias, testemunhou o piparote juvenil no candeeiro Sèvres, durante o baile da menina. Nem o pó da porcelana sovada havia sido desperdiçado - havia que fazer prova. Agora, à porta daquele prédio velhíssimo e inconspícuo para os lados do Castelo, depois das voltas do chauffeur e dos silêncios da boa patroa, Lena subiria aquelas escadas estreitas rumo a uma divisão ampla, guiada por um homem de certa idade, sem traço distinto. Para seu espanto, as rimas de prateleiras justificavam o apodo: loiças, pratas e madeiras refeitas do quase nada, como novas. Duas semanas mais tarde, antes da canasta vezeira, enquanto subia a saia da mesa em bordado Madeira com alfinetes e camélias, o milagre era entregue. Como se houvesse nada.
E o que calçar
Agora foram as linhas sobre música e o que calçar. Ainda não tinha acabado de as ler, saem-se-me os dubliners das colunas do café, letra sacada ao Rushdie. Noutro dia foi o parágrafo do Conrad, o comandante a praguejar às escuras e a luz do comboio a ir abaixo por muitos segundos. Antes houve a menina do Sonho de Um Homem Ridículo a angustiar-me (muito) ao fim três dias, eu a virar a folha do jornal e a foto da Magnum com o abutre e o homem que a fotografou e não aguentou, não parou. Nem tento perceber o que isto quer dizer.
Lisboa, Rua Mário Botas
Olho para aqueles miúdos, envergonhados de contentes tanto o mal que agora é bem dizer das praxes, e lembro-me bem. Vêm cansados mas agora já se sabem os nomes, agora já têm uma história parva em comum. Rirão disto por pelo menos por três ou quatro anos, com sorte mais. Continuarão a registar com espanto, como agora (se bem que provavelmente ao jantar num sítio fixe, e não no comboio), aquele momento em que a nenhum escapou o rebolar de olhos de dois dos queques que combinavam a tarde seguinte na piscina, ao ouvi-los de Massamá. Com espanto e outra coisa qualquer, entre a indignação e o embaraço.
Isto Vive
Vodafónix novo - guardei os números, mas perdi todos os movimentos das últimas três semanas. Merde, alors.
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