Eu também vou à festa de inauguração de 2006. E a seguir? A seguir será como no Dakar: tomar sentido no percurso e pôr à prova a temperança. A todos, saúde e bom caminho.
a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória
sábado, 31 de dezembro de 2005
"Tens A Bexiga Pequena"
é mais um regionalismo em desuso, aplicável a todo o que não se aguenta quieto tanta é a vontade de quebrar um segredo ou de dar uma notícia. Vem aí blog novo, e mais não digo. Por enquanto.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2005
Tesoura, Papel, Pedra
Antes do QC escrevia e-mails que eram já posts a um leitor de cada vez. Sempre me importaram, as cartas, as idas e as vindas, tanto ou mais que pensar alto. Continuei a guardá-las e a relê-las como às antigas, mas o papel destas engana mais. Quando há uns dias fiquei sem computador gabei-me de prudente por ter o trabalho em local seguro. Depois reparei que não tinha a salvo endereços nem mensagens. Correio em branco. Um exercício de desprendimento para o qual não estou preparada.
Coisas Que Só a Mim Apoquentam: Especial Calcanhares-Da-Passagem-De-Ano
Um trabalho cujo prazo vence impreterivelmente no último dia do 2005. Eu e os prazos, ó caneco.
2005, Fascículo V
Está tudo de férias, as cinquenta a noventa almas que lêem regularmente o QC já sabem o que o apeadeiro gasta, os outros coitados, enganados, não chegam a sequer a esta palavra, nem a esta, nem a esta, seja como for amanhã é só soterrá-las em postas de piadas patuscas e já está. Em verdade, o que mais gostei neste ano de bloga foi de pessoas que por aí andam a ler, escrever e contar: é pingonheiro mas é mesmo assim, intrigam-me, irritam-me e uma ou outra vez acertam-me em cheio, e nesta eclusa entre ficção e realidade que é a blogosfera acho que cheguei mesmo a fazer um ou dois ou três amigos. E vocês sabem o que diz a canção. Fim de balanço.
Uma Violência
Está uma pessoa em casa a trabalhar, poisa os olhos na SicNotícias. Passa em repetição uma reportagem de Cândida Pinto sobre Snu Abecassis. A pessoa ainda não viu, vai de parar o que está a fazer. No exacto momento em que fala a tal senhora da terceira via, Gold. Fosga-se. Às teclas, mas é.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
Light Motiv
Uma vez quase sem exemplo, o nome lá da terra é correctamente pronunciado. A conversa é sobre José António Saraiva.
2005, Fascículo IV
Blogosfericamente, este ano não foi só asneiredo, onomatopeias e músicas coladiças. Dentre os conceitos de me descabelar por os não ter inventado primeiro, destaco o charme discreto dos subúrbios (vide post "Música, Dar") do egrégio Tiago Cavaco.
terça-feira, 27 de dezembro de 2005
Maquinações
Depois de duas tentativas mal sucedidas, o meu pc pôs ontem termo à própria vida. O parvo. O traidor. Obrigar-me a ano novo, máquina nova. O inconveniente.
Depressão Pós-Coscorão
Agora que está toda a gente servida, escrita, abraçada, telefonada, beijada, agora era dormir, não levar o Natal tão a peito, calar-me, cantar uma canção.
sábado, 24 de dezembro de 2005
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005
Da Época
Ri-se muito quando vê o menino apertar as bolas da árvore de Natal, à procura das mais maduras.
Lisboa, Praça Duque de Saldanha
Não satisfeita com a epidérmica reacção à overdose de chocolate, passeia uma fiada de botões desencontrados pelo redondel mais bem apessoado da cidade.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
Portugal, Estação de Campanha
A saga Bucha & Estica segue, desaquietando um ou outro transeunte. Votar-se-á em Aníbal Cavaco Silva, aqui aos Quatro Caminhos. Ao nosso candidato falta a afabilidade, o traquejo de salão e o ar de quem leu as memórias do Marquês de Fronteira e d'Alorna, mas por estas bandas as aparências contam para pouco. Por aqui escolhe-se alguém realista, desperto e ao estrito serviço dos seus concidadãos, que afinal isto da III República é um semi-presidencialismo, nem mais nem menos. Deixemo-nos de coisas: em termos de cultura democrática, nem Ápio Cláudio foi tão bom quanto Ápio Cláudio.
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
2005, Fascículo III
Dizem que inconstância é coisa de mulher mas eles são todos eles, e eu sou pelos comeback kids, os vão-voltam, mudam de fato, morrem e ressuscitam. Porque aqui não é como lá fora: quem quiser arrebenta a bolha.
domingo, 18 de dezembro de 2005
sábado, 17 de dezembro de 2005
2005, Fascículo II
Só comecei a ler com regularidade weblogs brasileiros na Primavera deste ano, muito por atiçamento do Berra-Boi (absolutamente esotérica, a razão pela qual o dito é desconhecido dos apontadores de referência cá do quarteirão). A quem quiser iniciar-se recomendo a Carreia Transatlântica (ali em baixo, ao lado direito), a quem quiser mergulhar fundo remeto para a lista do Gávea. Mãos cheias de gente interessante embrulhada em letra sem-cerimónia.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
Não É Inveja, É Intuição Feminina [Post Figurado Sem Segundas Intenções]
Fazendo o que faz às orações, aposto a minha pagela em como esta mulher não é crente.
Não É Inveja, É Intuição Feminina [Post Literal Sem Segundas Intenções]
Aposto a minha lata de feijões em como, para além do mais, esta mulher é bonita.
O Sistema
Ignorar assim ostensivamente a CP e a Fertagus no inlinkável "Cabos", senhor maradona, porquê, porquê? É horrivelmente injusto que me desconsidere/s utilizadora dos transportes públicos só porque já não uso o L12 e sim bilhetes de 10 viagens, e entre outras coisas as pessoas cortam as unhas nos bancos à nossa frente, e no Verão até há quem se descalce à vontadinha, e os putos e os bêbados vomitam-se todo o ano, e se isto não faz de mim uma peona d'O Sistema, então não sei o que fará, entende/s?
Monte Abraão, 19:00h
Três ou quatro estações antes da minha fecho o livro, revivo o embaraço de um falo mais do que ouço quando dou por que vem o mundo no comboio. Tento fixar todos os que têm escritas na cara bem mais que as oito horas de trabalho, os que pesam o dia de olhos postos no nada, os que se entretêm nos reflexos contra-noite, mas não consigo. Fico-me pela mãe que dá colo ao rapaz que já não tem idade para colo e se equilibra de encontro ao apoio da coxia. Ele não repara, mas está bom de ver que por hoje ela já deu tudo o que tem - está a funcionar só a amor.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
Santa Ignorância
Alguns de nós ainda levámos na infância um aviso-cabeças: a vida vem com uma interminável lista de tarefas, quase todas chatas. Secantes de rebolar os olhos. Mas queríamos lá saber disso para alguma coisa, queríamos era jogar à sirumba. Santa Ignorância.
High And Dry
High-and-dry - The situation of a ship so far run a-ground as to be seen dry upon the strand.*
A língua portuguesa não diz os que aguardam ansiosos a ressaca da maré como a inglesa. Convenhamos que "encalhado" não tem pathos que se apresente.
A língua portuguesa não diz os que aguardam ansiosos a ressaca da maré como a inglesa. Convenhamos que "encalhado" não tem pathos que se apresente.
terça-feira, 13 de dezembro de 2005
Livro XXIII
Mais de quatro décadas de diário suspensas num
"Tudo normal e em paz. Dores suportáveis."
sem mais nada. Fim sem intenção, como quase todos.
"Tudo normal e em paz. Dores suportáveis."
sem mais nada. Fim sem intenção, como quase todos.
Everyday Blend
Não posso dizer que repito os mesmos erros mecanicamente porque acabo de escaldar a língua com chá.
Wee Hours
Um dia acabei por deportar a bonecada quase toda para a arrecadação, impunham-se os livros e crescer. Ficou a de expressão grave, vestido grosso e cabelos muito ruivos. Natasha, como a do Urso Misha, uma russa de pano entre papéis e dossiers. Debaixo dela escondi cartas de amor, à luz de agora lembrei-me disto.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2005
Combinado CP-QC
Ainda não tinha dado pela evidente semelhança. Se não me processarem por plágio, prometo não apresentar factura por publicidade subliminar.
domingo, 11 de dezembro de 2005
Queluz, Largo do Palácio
O empedrado era todo para nós, saltavam à corda grande e eu via. Tão nova, pequena, cheia de querer pertencer e dores de barriga.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2005
Lisboa, Campo de Santana
Frio. Patos calhandreiros e anafados de volta do pão, homens mudos e magros aproveitando o sol, dormindo o que não conseguiram à noite.
Jogo Social Espontâneo
Teria chumbado o teste de artes performativas, se mundanidade fosse cadeira. A timidez arruma o carro longe, escolhe o canto do restaurante, senta-se na última fila do anfiteatro.
Água Quente
Serve para nada, resolve nada, e entre adultos é flanco dado. Nem sequer se sabe se chorar faz bem. Consigo-o cada vez menos, independentemente de me emocionar cada vez mais. E sinto falta.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2005
Aberto Para Balanço
O ano está a acabar, cada um tem a sua lista. A daqui sairá em fascículos, até ao fim do mês. Tendo de escolher um só post, o mais bonito do ano, apontaria sem hesitar este, publicado às 10:35h de 22 de Julho.
Quem Não Sabe, Não Mexe
A saloiamente anunciada mudança de template, consumada no passado dia 3 de Dezembro, não só não surtiu o efeito desejado como deu em poia de apreciável dimensão. Bem ao jeito das intervenções urbanas sofridas pelo meu concelho durante a década de oitenta, betona-se o pitoresco, lá se vai o singelo encanto do lugar. Quando o Blogger fizer a sua parte, restaurarei a primitiva fachada. Com uma cicatriz, para não fazer de conta que não aconteceu nada. E sobretudo para não esquecer que quem não sabe, não mexe. Sim, tive em conta a opinião da meia dúzia que me disse não gostar do novo ar deste cruzamento. É uma meia dúzia conservadora (no dia em que, adulta e notória não-comunista, disse num ajuntamento assim que ainda tinha no braço o selo luminoso da entrada na Festa do Avante, que tinha ido ver como era, fez-se silêncio e uma pessoa exclamou "já não tens quinze anos para andares a brincar aos hippies, pá!" e depois voltámos ao vinho tinto), com honrosas excepções. Ponho-me para aqui com coisas, como se este weblog fosse um WebLog. Não é, aprendi hoje que um weblog com menos de cem-a-duzentas visitas diárias não é um WebLog. Esta bucha é um bocado ressabiada e desnecessária, tendo em conta que a sessão foi bem mais substancial que isso. Agora vou ali tomar um comprimido. Devo ter comido qualquer coisa estragada ao almoço, para estar de verborreia.
terça-feira, 6 de dezembro de 2005
Eia
Ser seco e ligeiramente polido com quem é inconveniente funciona. Pelo menos, quando a inconveniente sou eu, funciona.
[Ainda não consegui resolver o problema dos comentários; peço desculpas e paciência.]
segunda-feira, 5 de dezembro de 2005
Adaptação Livre (O Voltaire Não Se Há-de Zangar)
domingo, 4 de dezembro de 2005
Lorem Ipsum
"Neque porro quisquam est qui dolorem ipsum quia dolor sit amet, consectetur, adipisci velit(...)"
Cícero, De Finibus Bonorum et Malorum, c.45 a.C.
Cícero, De Finibus Bonorum et Malorum, c.45 a.C.
Não há quem ame a dor em si mesma, quem a busque, quem a queira apenas porque é dor. Ao longo dos últimos cinco séculos este tem sido o mais popular pangrama do Ocidente. Quem nunca olhou amostras de um ou outro estilo de letra num truncado lorem ipsum quia dolor sit amet, ou simplesmente num lorem ipsum? Não fazia ideia do seu significado. Agora que faço, estética e ética baralham-se-me ainda mais.
Anda Cá
A minha segunda lembrança faz hoje anos, vinte e cinco. Sei que não a construí porque é a preto e branco, como o écran da televisão que trocámos quinze dias depois, pelas festas. Ouvi-a chamá-lo e fui também à sala, não sei se com o meu irmão. Estranheza em estado puro - nunca havia visto um adulto prestes a chorar.
sábado, 3 de dezembro de 2005
A Brand New Blueish Raincoat
Um bocadinho verde, um bocadinho cinzenta e um bocadinho azul, a inevitável sombra da cidade. Fiquei tão feliz com o azul.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
Pedimos Desculpa Pelo Incómodo Causado
Aconteceu qualquer coisa estranha aos três últimos comentários aqui deixados. Estou a tentar resolver o problema.
Acabamentos
Olho o andaime camuflado ocultando os últimos retoques e ocorre-me aquilo da emenda e do soneto. Deve ser isto, a resistência das mentalidades.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
Obras
Já começaram, as obras aqui no QC. Pavimentação, pintura, realinhamento das vias e mais não sei quê.
carnavanatal
A cangalhada piscante, as renas cabeçudas, o pai natal momo e a mãe natal matrafona, panfletos em confetti, o batuque dos anúncios. De ano para ano há mais barroco pvc, mais cedo e mais feio. O que eu queria era ser bombeira iconoclasta - sair à rua de agulheta, lavar a honra do Natal.
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