a vida depois da vida / eco em museu / canção-vitória / letra empoada / melhor que nada / é memória

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Wake Me Up When September Starts I

É bom que haja para aí gente com disposição blogosfeérica. Ai, quando eu voltar.

Name Throwing

Portuguesinha dos quarto costados, dou por mim a jogar ao atira-o-nome-para-mostrar-que-sabes tão bem como os melhores. Coro, mas da finta bem feita, não do sol.

É Memória

Li pela primeira vez o weblog da Sheila Leirner por recomendação do Berra-Boi, esse blog-olheiro de primeira. O seu diário tornou-se hebdomadário há uns tempos, por excelente razão: Sheila iniciava a redacção das suas memórias, a publicar em 2006. Podem-se já ler trechos das mesmas no novo Hot Memories: podia dizer muita coisa, mas o melhor é deixar o link. Imperdível.


sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Fotoshop

O problema da praia é constatarmo-nos. Admitirmos o corpo que construímos no lugar do que desejamos ter. O resto é tudo bom.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

A Água Fria

lava tudo, por isso vou a mergulhos e remadelas. A posta marítima será menos frequente, até ao início do melhor mês do ano.

Wee Hours

A cinza em poalha investe contra o vidro carro. De cansados, ignoramos o clarão, a sirene, o ar aceso.

sábado, 20 de agosto de 2005

What Happened To Xobineski Patruska?

Há quem se pisgue, há quem vá e volte, e há quem saia para comprar cigarros sem mais dar notícias. Este é (ou era?) um dos melhores humor blogs portugueses, e desde Fevereiro que não podemos ler nele nadinha sobre maiatos e mais maiatos, Nutella, Melão, aventais, o Coelhinho da Páscoa ou Eurico A. Cebolo. Uma desgraça. Aqui fica, pois, o apelo: Xobi, quem quer que sejas, deixa o que estás a fazer e posta qualquer coisa para os fãs. Eles agradecem de avanço.

Uns São, Outros Não

E o Sr. Jorge Mário da Silva é.

Metro, Colégio Militar - Jardim Zoológico

Muito pouco por acaso, o marialva para lá de jubilado toma lugar frente à loira bronzeada que ainda não pode andar de vespa. É que nem tenta, nem tenta disfarçar o pasmo de ver nascer uma mulher bonita.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Homefront

Isto está bonito, está.

P.S. Bomba, e se a gente criasse os Fasianídeos Anónimos? Embora lá.

Ética

"Vou falhando as pequenas coisas
que me são solicitadas.
Sentindo que as ciladas
se acumulam cada vez que falo.
Preferi hoje o silêncio.
A ausência de equívocos
não é partilhável.
No inegociável deste dia,
destituo-me de palavras.
O silêncio não se recomenda.
Deixa-nos demasiado sós,
visitados pelo pensamento."
Luís Quintais, Lamento, 1999.

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Trabalhos Manuais

Estou a fazer um colar. Abasteci-me de fio, fecho, contas, e num desafio à precisão comecei-o no comboio. Já tinha passado o Vale de Santarém, quando notei que o estava a fazer igual ao template. Só eu, só eu.
"Porque as memórias procriam como se fossem pessoas vivas."
Agustina Bessa-Luís, Antes do Degelo, 2004.

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Roger Schutz, 1915-2005

"Dans ma jeunesse, j’étais étonné de voir des chrétiens qui, tout en se référant à un Dieu d’amour, perdaient tant d’énergies à justifier des oppositions. Et je me disais : pour communiquer le Christ, y a-t-il réalité plus transparente qu’une vie donnée, où jour après jour la réconciliation s’accomplit dans le concret ? Alors j’ai pensé qu’il était essentiel de créer une communauté avec des hommes décidés à donner toute leur vie et qui cherchent à se réconcilier toujours."
Frère Roger.

Deixou Genève aos 25 anos, de bicicleta, rumo à França ocupada. Pedalou até encontrar lugar para a sua ideia de mundo. Achou-o em plena Borgonha, e aí trabalhou pela reconciliação de todos os cristãos. Que as trágicas circunstâncias da sua morte se não sobreponham a tão grande testemunho de fé.

Em Combate

Duas horas e a morte de dois soldados. Um da Paz, outro de Cristo.

Anatomia

Tão pequenina tinha,

ao centro e dentro

de um corpo de peças rosadas,

cavidade em forma de gota

onde morava

(muito quieta)

a minha alma.

Cresci e perdi-me

na anatomia,

hoje não sei,

não encontro

o lugar onde pus

a centelha mínima.

Encontro-os. Não Os Invento.

No braço do homem seco e atarracado, a artesanal tatuagem diz Amor de Mim.
Há dias em que sabes que fizeste mal - só não sabes o quê.

Guerras Parvas. Capítulo 1.

Todas as guerras são parvas, mas umas são mais parvas que outras.

O aparato conceptual da presente rubrica é ligeiro; tão ligeiro, que se resume ao preconceito axiomático epigrafado. Para que não restem dúvidas, à luz da recentíssima (mas já academicamente indispensável) perpectiva silly, o confronto marcial é parvo, coloquial ou etimologicamente falando. No caso que se segue, etimologicamente falando.
Atentemos, pois, na parva Guerra do Bacalhau (Cod War, ou Porskastríðin), contemporânea da bastante menos parva Guerra Fria (Cold War). Enquanto a quase totalidade do planeta Terra se afligia com a hipótese de extinção da espécie humana por obra de uma ou duas potências nucleares, a Islândia e a Inglaterra peitavam-se por causa de peixe. A disputa iniciou-se nos últimos anos do século XIX, com a aplicação da energia a vapor à propulsão de embarcações. O Atlântico Norte foi, até 1893 incontestadamente dominado pelos profissionais britânicos; nesse ano, o governo dinamarquês, soberano da Islândia e Ilhas Faroe, estabeleceu uma área exclusiva de águas territoriais, 13 milhas náuticas para lá da sua costa.

Os pescadores britânicos reclamaram, sendo apoiados pelo seu Governo à desobediência e não reconhecimento das 13 milhas islandesas. O seu estabelecimento não tinha precedente, e preocupava-se o Reino Unido com as posições futuras de vizinhas nações. Três anos mais tarde, foi firmado um acordo de utilização inglesa dos portos islandeses e de proibição ao trânsito para leste de Illunypa e Thornodesker.


Em 1899, o
Caspian Affair marcou o tom futuro de agressividade relacional entre os dois países: o arrastão Caspian pescava ilegalmente nas Ilhas Faroe, tendo sido abordado pelas autoridades locais. Fugiu e foi fogueado, chegando ao porto de Gimsby em frangalhos; na custódia dos dinamarquesesficou o seu comandante, prontamente chicoteado no mastro do navio islandês, e posteriormente preso por 30 dias. A imprensa inglesa iniciou um devir de atenção ao conflito, instando frequentemente os governantes ao envio da Armada para defesa dos súbditos pescadores.

Até ao final da muito pouco parva II Guerra Mundial, a questão da manutenção de recursos marinhos e suas zonas de actividade esteve relativamente dormente. Com o ressurgimento dos conflitos, em 1958, a imprensa tablóide forjou a expressão
Cod War, parodiando a nuclear contenda em curso. Nesse mesmo ano, o confronto assentou no facto de o Reino Unido não ter conseguido impedir que a Islândia estendesse os seus limites de pesca das 4 para 12 milhas. Então, mas mais marcadamente entre 1972 e 1973, a Islândia sustentou um único e convincente argumento: era a nação do mundo mais dependente da pesca, sendo a quase totalidade dos seus c.250 000 habitantes dedicados à actividade e suas dependentes, e não possuíndo outros recursos naturais por explorar. Estendeu então os seus limites para 50 milhas, alegando também a necessidade de controlo dos stocks de peixe. Os ingleses não intentaram em nenhum momento abdicar da zona islandesa, que não reconheciam como tal, por ser aquela que suportava o sector económico inglês congénere. Em 1973, um acordo entre as duas nações permitiu aos britânicos a entrada em certos pontos da zona islandesa, bem como um limite máximo de pescado até 130 000 toneladas/ano.

Expirado o acordo em 1975, teve início o mais encarniçado dos confrontos ocorridos. Entre Novembro desse ano e Junho de 1976, a quantidade de bacalhau pescada e a reclamação islandesa de alargamento a uma zona com 200 millhas foram novo pomo de discórdia: tiros, redes cortadas, abalroamentos, abates, multas, pesca furtiva; 6 navios e 2 arrastões da Guarda Costeira Islandesa contra 22 fragatas britânicas .


Com a ameaça islandesa de encerramento da base da Aliança Atlântica em Keflavik, imprescindível para o controlo da actividade soviética nessa zona do oceano, intervieram forças internacionais: a NATO, e os EUA em particular, favoráveis à Islândia. O Secretário Geral dos Aliados, Joseph Luns, mediou um acordo a 2 de Junho de 1976, que conferiu seis meses ao Reino Unido para frequentar a zona das 200 milhas com um total de 24 arrastões, sujeitos a patrulhamento e inspecção islandeses.


Paradoxalmente, nas Nações Unidas, os britânicos apoiavam e participavam desde 1973 nas conferências para a Lei do Mar, com vista, entre outras coisas, à constituição de Zonas Económicas Exclusivas de 200 milhas. Contudo, não consideravam que nada estivesse em vigor ou que os vinculasse, incentivando os seus pescadores às "incursões islandesas". Certo é que, após o acordo de '76 (e a instauração da Lei do Mar, em '82), c.1 500 pescadores perderam emprego e outros c.7 500 indivíduos deixaram de poder trabalhar em actividades associadas.



Depois de ler isto, perdi vontade de dizer que somos o povo europeu que mais ama o bacalhau.

terça-feira, 16 de agosto de 2005

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Mais logo, em harmonia com o espírito da presente estação, o QC inaugura Guerras Parvas. Esta nova rubrica é dedicada a um dos mais recentes sub-géneros da historiografia - a Silly History.

E Tem Cura?

Cláudia - É grave, Doutor ?

Doutor - Não, menina, é paronomásia compulsiva. Tenha juízo!

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Quando sós à boleia do crepúsculo


"para o Fernando Guerreiro

Não mais a literatura, os seus

fúteis e imperiosos desígnios
- julgamos dizer, insistindo
numa ourivesaria do terror
e em gestos que sabem o quanto
chegam tarde. Quando sós,
à boleia do crepúsculo, dizemos
coisas assim, mentimos com
os dentes todos que não temos.

E a mentira (a literatura)
é ainda a improvável derrota
de que não nos salvaremos
nunca. Tão igual à vida, portanto:
pouso o copo, recupero o fôlego,
fumo uma silepse. Sei que vou morrer.

E isso que - talvez - nos diz
é uma evidência que escurece
(tivemos por amigo o desconforto).

Quanto ao mais, vamos andando.
Casados ou sozinhos. Mortos."

Manuel de Freitas, [SIC], 2002.

Melon

Dos grandes. Sempre é primeira vez que não estou com os micks em Alvalade.

Lemon

Uma rodela, quatro pedras de gelo, vermute à bruta.

domingo, 14 de agosto de 2005

Of The Beholder

Via as notícias, não esperava nada bonito. Entra uma peça sobre o fecho de escolas nas aldeias do norte do pais, em tom pingão. Perguntam a um pai o que acha. Eu à espera da habitual insatisfação, da habitual indignação, ter de ir o rapaz para a nova escola básica na sede de concelho, em Alfândega da Fé, a tantos quilómetros dali. Mas não, nada disso, o pai responde

- É assim que tem de ser, que um homem é para o mundo.

e o noticiário continuou. Eu fiquei naquilo.

Podes Vir Para A Rua?

Já ninguém pergunta/a pergunta/que tinha a apanhada/a sirumba, a bola/a macaca/o mata?

Antiguidades

Percebe-se que já não se é novo quando se diz

- Então, olha, ceausescu.

e só alguém de trinta para cima responde

- Vá, adeus, até brejnev.

sábado, 13 de agosto de 2005

A Vera Linha

Na feminina árvore observa um meu amigo justeza, não erro,

Filhos das minhas filhas, meus netos são,

filhos dos meus filhos, serão ou não.

que aquele era um mundo da patronímica fé, da patronímica descrença.


Agora não há segredos, pode-se ver quem está no sangue.


sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Tempo

Quem só vive no presente já morreu e não sabe.

O Telefone Estragado

- Ó Doutor, ajude-me a atender este moço, que ele quer saber da árvore ginecológica dele!

Assim se inaugurou a pesquisa ontológica do meu amigo, num simpático cartório transmontano. Lá arejava, entre outros entusiastas em pausa, as folhas do mundo anterior.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Dói-me Aqui

no braço, sobretudo a meio, na zona do cotovelo. É, não arranjei bilhetes e não me doía nada, até toda a gente desatar a falar disso. Grrr.

Homens IV

A camisa muito branca, a pele um pouco bronzeada.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

A Gosto

Postas altas destas, e eu a reclamar da faina do mês...

Português Partido IX

Não é que não haja assunto, mas há dias em que é difícil


escatalejar, v. (de catalecta? l. catalectu; gr. katálecta) 1. Seleccionar. 2. Escolher. 3. Respigar.


um verdadeiramente relevante.

A Cara Dela

Ao meu lado sentou-se uma mulher jovem. Tem cerca de trinta anos e está toda vestida de preto, ar gótico inconformado. O estar de preto acentua o absurdo da situação; é igual, tem a cara dela. Não consigo deixar de olhá-la, a parecença é insólita. Penso falar-lhe, mas como se pergunta a alguém se é sangue de quem morreu há tantos anos?

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

2.

"my way is in the sand flowing
between the shingle and the dune
the summer rain rains on my life
on me my life harrying fleeing
to its beginning to its end

my peace is there in the receding mist
when I may cease from treading these long shifting thresholds
and live the space of a door
that opens and shuts"

Samuel Beckett, Four Poems [tradução de Quatre Poèmes, pelo próprio autor], 1948.

"Les doutes, c'est ce que nous avons de plus intime."

Albert Camus, Carnets, 1935-1942.

A Metamorfose II

Cumpriu-se. De morte marcada e fertilíssima agonia, o Bombyx Mori já não é. Um sincero abraço ao Afonso Bivar, o tecedor.

A Divina Previdência

[Este post parte de um comentário por mim deixado na caixa do Miniscente, em conversa com Luís Carmelo e José Pimentel Teixeira. Aqui fica sua transcrição, e mais qualquer coisa.]
Há dois anos, com todo um concelho em chamas (acabou por arder mais de 85% do seu território), sem água na torneira ou número de bombeiros suficiente, o Estado não teve como acudir à segunda habitação da minha família, acabadinha de fazer bem no centro do país. Os velhos da aldeia foram evacuados, o gado morreu ou cegou, os palheiros e algumas outras casas arderam. Tudo isto apareceu nos noticiários, com banda sonora e tudo. Defenderam a dita casa os seus proprietários, que tiveram sucesso por três simples razões: porque conseguiram sair suficientemente rápido de Lisboa para a poder defender; porque tiveram acesso a água que não a da rede pública; porque o terreno em torno estava convenientemente limpo de mato e de arvoredo. Ao contrário das duas primeiras, a última razão não foi fruto do acaso ou da Providência, antes da previdência. Muita gente chorou, reclamou. Muita dessa gente, passados dois anos, não se dignou ainda mandar cortar os pinheiros e eucaliptos queimados, que enquanto aqui escrevo caem de podres sobre estradas, carros, cabos telefónicos e muros de outras propriedades, continuando a fazer estragos e despesas; muita dessa gente não se dignou também mandar cortar silvas, capim e tudo o que nasce da fértil cinza, ao menos à beira do seu local de habitação ou férias. Mas a malta continua a afligir-se com os noticiários, com banda sonora e tudo.
Há cerca de vinte anos, o mesmo concelho esteve em chamas, com pouca água na torneira e sem número de bombeiros suficiente. O incêndio começou num primeiro dia de férias em casa dos meus avós; nós, pequenos, fomos evacuados a pé para o centro paroquial, a dois quilómetros dali. Os adultos saíram para fazer aceiros e transportar os mais velhos nos poucos carros disponíveis. Nessa mesma noite, vi pela primeira vez toda a vertente de um eucaliptal a arder; o barulho não se esquece, nem o medo indisfarçado na cara dos adultos. Tudo isto apareceu no Telejornal. Muita gente chorou, reclamou.

Adenda [09-08-2005; 20:30h]: No Substrato, pela mesma hora, publicava-se este post. Especial atenção para o último comentário, que linka "A Indústria dos Incêndios" publicado uns dias antes na Sic Online, por José Gomes Ferrreira.

sábado, 6 de agosto de 2005

Tacho Merecido

Eu beberia uma limonada fresquinha na Antártida, se fosse o João Carlos Silva a aconselhar a receita. Este one man show é uma excelente razão para os leigos das biclas acompanharem a Volta a Portugal.

A propósito, o rapaz da banda d'além está vivo e de boa saúde?

A Metamorfose I

Já não o há em estado selvagem. Vive há séculos entre nós, vindo dos lados do sol novo. É frugal. Fia o casulo no qual se faz crisálida e aguarda vinte dias por um par de asas cinzentas, que não são de voar. É precisa a sua cela incorrupta, por isto tem de morrer. Sob vapor quente e intenso, liberta o curso do precioso filamento.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Este Post Não Tem Jeito Nenhum

É Verão. Há dilemas do caraças. Decote, sim ou não? é um deles. Por um lado, o ar condicionado ainda não é um bem universalmente partilhado e uma jovem da classe média já não pode usar leque sem ser no Carnaval. Por outro, o recurso à redução de pano a uso implica (sempre, seja-se gira ou um seja-se um cepo) consequências desagradáveis para a incauta que não meça bem o meio físico e social em que se movimenta.

Que fazer?

Quando não se está perto da água e se leva com 42ºC ao meio-dia, usar decote. E enfiar a cabeça no jornal. E treinar o ar absorto e descontraído em casa, com alguma antecedência.

Trop(p)o Caldo

Eu bem me esforço, mas a mais de 30ºC deslaçam-se-me as sinapses todas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Autobiography At An Air-Station

"Delay, well, travellers must expect
Delay. For how long? No one seems to know.
With all the luggage weighed, the tickets checked,
It can't be long... We amble too and fro,
Sit in steel chairs, buy cigarettes and sweets
And tea, unfold the papers. Ought we to smile,
Perhaps make friends? No: in the race for seats
You're best alone. Friendship is not worth while.

Six hours pass: if I'd gone by boat last night
I'd be there now. Well, it's too late for that.
The kiosk girl is yawning. I fell stale,
Stupified, by inaction - and, as light
Begins to ebb outside, by fear, I set
So much on this Assumption. Now it's failed."

Philip Larkin, 1953.

Comboio, Top Livros

O que mais se dá nas plataformas das estações e apeadeiros, porém, são os géneros esotérico, espiritual e religioso. Dos clássicos A6 devocionais católicos às fotocópias de orações pentecostais pela abundância, passando por prontuários do oculto e mini-enciclopédias de mestres metafísicos. Ninguém parece querer estar preso à terra.

Comboio, Essa Amostra Universal

O Dan Brown já era: uma em cada cinco mulheres por carruagem lê sofregamente "Zorro - O Começo da Lenda", da Señora Allende. Não estou a gozar. Não estou a exagerar. Começo a ficar curiosa.

Vou sentada o resto da viagem, a ver se a curiosidade passa.

terça-feira, 2 de agosto de 2005

Os Desmancha-Prazeres

Há pessoas que contam tudinho sobre si e sobre os outros. Pena é que não usem uma t-shirt (ou mesmo uma pulseirinha de silicone) com SPOILER ALERT.

A Rentrée (primeiras a dizer a palavra)

Alguém me diga que a blogosfeira volta ao normal lá para Setembro, que o QC ainda não fez um ano para amostra.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Encaderna o coração,
lembras-te dos livros
da escola?